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Classificação Científica

Reino: Animalia
Filo: Chordata
Classe: Aves
Ordem: Psittaciformes
Família: Psittacidae
 Rafinesque, 1815
Subfamília: Arinae
 Gray, 1840
Espécie: A. leari

Nome Científico

Anodorhynchus leari
Bonaparte, 1856

Nome em Inglês

Indigo Macaw


Estado de Conservação

(IUCN 3.1)
Em Perigo

Fotos Sons

Arara-azul-de-lear

Ameaçada de extinção

Espécie endêmica do Brasil. A arara-azul-de-lear é um Psittaciforme da família Psittacidae. Também conhecida como arara e arara-azul-menor. Criticamente ameaçada, é uma das aves mais raras do mundo.

O tráfico de animais silvestres e a destruição do habitat são os principais fatores de ameaça à espécie. Para tentar reverter esta situação, foi elaborado o Plano de Ação Nacional para a Conservação da Arara-Azul-de-Lear: Anodorhynchus leari (o qual esteve vigente ate 2011), que contempla várias ações de conservação, pesquisa, proteção e educação ambiental. Em 2012, este plano foi revisado e passou a ter como Objetivo Geral “Manter o crescimento papulacional da arara-azul-de-lear até 2017, garantindo e incrementando a qualidade do habitat e envolvendo as comunidades da área de ocorrência da espécie na sua conservação.”

O PAN Leari se encerrou em Maio de 2017 com 37% das ações concluídas, 29% das ações iniciadas e não concluídas no prazo e 34% não iniciadas no período previsto. Com o encerramento deste PAN, a espécie Anodorhynchus leari foi recepcionada no Plano de Ação Nacional para Conservação de Aves da Caatinga.

O CEMAVE realiza o monitoramento populacional da espécie desde 2001, contando com a parceria de diversas instituições e pessoas. Este monitoramento é realizado através de censos simultâneos nos dois principais dormitórios conhecidos utilizados pelas araras, utilizando-se método padronizado. A espécie vem se recuperando nos últimos anos, graças às ações do seu programa de conservação.

Sua população é de cerca de 1.200 indivíduos.

A arara-azul-de-lear foi descrita em 1856, através de uma pele em museu o qual a origem era somente descrita como do Brasil, sem localização precisa, e por isso sua área de ocorrência permaneceu desconhecida por mais de um século.

A “redescoberta” foi em 1950, desvendando um dos maiores enigmas da ornitologia sulamericana, pelo famoso ornitólogo brasileiro Olivério Mário de Oliveira Pinto.

Só em 1978, a espécie foi localizada no nordeste do estado da Bahia, ao sul do Raso da Catarina.

Nome Científico

Seu nome científico significa: do (grego) anodön = sem dente, desdentado; e rhunkos = bico; e de leari, learii = homenagem ao artista, escritor e explorador inglês, Edward Lear-(1812-1888) . ⇒ (Ave) de Lear com bico desdentado.

Características

Chega até 75 centímetros de comprimento e pesa 940 gramas. É parecida com a arara-azul-grande (Anodorhynchus hyacinthinus), mas é bem menor, sua plumagem é menos brilhante e a mancha amarela que ambas têm junto ao bico é maior na arara-azul-de-lear.

A arara-azul-de-lear mede entre 70 e 75 cm e pesa em torno de 900 gramas, de acordo com Sick (1997). Dados obtidos a partir de 40 aves em cativeiro mostraram que os machos pesam em média 882,24 gramas (n=17, s = 44,96) e as fêmeas pesam em média 789,09 gramas (n=23, s = 68,33) (Y. Barros, com. pess., 2006). Possui o bico negro, possante, sem dente e a cauda muito longa. A cabeça e o pescoço são azul-esverdeados, a barriga azul-desbotada, as costas e o lado superior das asas e da cauda azul-cobalto. Anel perioftálmico amarelo-claro, pálpebra azulclara, branca ou levemente azulada, barbela quase triangular em forma de nódoa amarela-enxofre clara, situada de cada lado da base da mandíbula, mais pálida que o anel perioftálmico (Sick, 1997; Collar et al., 1992).

Jovens possuem as partes amareladas mais pélidas.

Vocalização: gree-ah e um “choro” ara-ara…trrahra.

Subespécies

Não possui subespécies.

Alimentação

Alimenta-se basicamente de cocos da palmeira Licuri (Syagrus coronata), que apanha pousando nas folhas ou até mesmo no chão, podendo consumir em torno de 300 cocos num só dia. Enquanto um grupo se alimenta, ao menos um indivíduo permanece pousado em galhos mais altos de árvores grandes, revezando-se com outras araras nesta função de vigilância. Também faz uso de outros itens alimentares, como os frutos da braúna (Melanoxylon brauna), e frutos de cactos como o mandacaru e o facheiro.

As aves alimentam-se dos cocos na própria palmeira, ou cortam partes do cacho e voam com eles no bico para outras árvores ou se alimentam no chão. Mark Stafford (com. pess., 2006) fez um vídeo das aves alimentando-se e que mostra o uso de ferramentas para abrir os cocos de licuri. As araras usam pequenos pedaços de madeira e/ou folhas da própria palmeira, ou gravetos, que são usados como cunha para facilitar a abertura dos frutos descascados e alcançar o endosperma.

São apontados também como fontes alimentares esporádicas da arara-azul-de-lear, o pinhão (Jatropha pohliana), o umbu (Spondias tuberosa), o mucunã (Dioclea sp.) e a baraúna (Schinopsis brasiliensis) (Sick et al., 1987). Brandt e Machado (1990) registraram o consumo de milho (Zea mays) enquanto verde e a equipe de campo do Programa de Conservação da Arara-Azul-deLear faz registros constantes da utilização deste recurso pelas araras.

As araras inicialmente marcam ou penetram parcialmente o coco com a mandíbula, empurram a “cunha” para dentro da parte marcada e então epetem o procedimento uma segunda vez, para abrir o coco. Usando este tipo de ferramenta, uma arara-azul-delear pode abrir um coco de licuri e retirar o endosperma, a cada 20 segundos. Segundo Brandt e Machado (1990), uma arara adulta dispende em média 25 segundos para abrir um coco e retirar o endosperma. Entretanto, a atividade pode ser interrompida por alguns instantes quando o indivíduo observa os arredores, coça-se, muda de posição ou assume outro comportamento. Assim, uma arara consome em média 118 cocos de licuri, por hora de forrageamento, o que representa em média 350 frutos de licuri, por dia. Durante a atividade pelo menos uma das araras do grupo fica sem se alimentar, provavelmente servindo de “sentinela” (Yamashita, 1987), permanecendo pousada em galhos mais altos de árvores grandes e se revezando com outras araras nessa função. No entanto, informações obtidas a partir de observações recentes (M. Stafford, com. Pess., 2006) indicam que as aves podem consumir uma quantidade menor de frutos, e que as fêmeas que estão alimentando os filhotes que deixaram o ninho recentemente consomem pelo menos duas vezes a quantidade diária de licuri consumida normalmente. A divergência nos dados obtidos indica a necessidade de realização de novas pesquisas sobre a estimativa de consumo diário de cocos de licuri. A atividade de forrageamento ocorre principalmente entre 6:00 e 9:00 horas e entre 14:00 e 16:00 horas (Brandt & Machado, 1990).

Reprodução

Em geral, com a chegada das chuvas no final de ano, é quando se inicia a sua época reprodutiva. Neste período, o casal se separa do bando. Faz o ninho em tocas nas paredes dos desfiladeiros do Raso da Catarina, em locais praticamente inacessíveis. O casal fica sempre junto e cada ninhada tem cerca de 2 ovos.

As araras pernoitam e utilizam as cavidades existentes nos paredões de arenito conhecidos como Toca Velha e Serra Branca para se reproduzir.

Hábitos

Vive na caatinga arbórea do nordeste da Bahia.

As aves saem da sua área de repouso, ao amanhecer partindo para as áreas de alimentação distribuídas nos municípios de Paulo Afonso, Santa Brígida, Euclides da Cunha, Monte Santo, Sento Sé e Campo Formoso. Estes deslocamentos podem implicar em mais de 60 km para os animais chegarem ao alimento. No final da tarde, podem ser vistos bandos chegando de diversas direções, vocalizando e sobrevoando o paredão até acomodarem-se nele para dormir.

Chamativo e barulhento, porém bastante arisco.

Distribuição Geográfica

Vive numa região extremamente restrita do sertão baiano, nos desfiladeiros da Reserva Ecológica Raso da Catarina, próximo à cidade de Paulo Afonso, no norte do sertão baiano. Ocorre também na Reserva Biológica de Canudos, no mesmo estado (BA).

Referências

Galeria de Fotos